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Sexta, 10 Setembro 2010

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Algumas notas a propósito da exposição “Obras de referência dos Museus da Madeira” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quinta, 10 Dezembro 2009 13:12
 

Algumas notas a propósito da exposição “Obras de referência dos Museus da Madeira”

 

Até que enfim!!!

 

            Este é o primeiro comentário que apetece fazer, não existindo qualquer dúvida de que já era tempo da Região se fazer representar com uma imagem digna que, no caso concreto, corresponde à riqueza do património histórico e artístico que possui.

 

Algumas notas a propósito da exposição “Obras de referência dos Museus da Madeira”

  

Até que enfim!!!

 

            Este é o primeiro comentário que apetece fazer, não existindo qualquer dúvida de que já era tempo da Região se fazer representar com uma imagem digna que, no caso concreto, corresponde à riqueza do património histórico e artístico que possui.

 

            Os merecidos elogios a esta Exposição estão bem colocados no texto de José Luís Porfírio no suplemento “Actual” do Expresso de 28/11/09, e, face à respeitabilidade do autor desse texto pouco mais haverá a dizer nesse aspecto.

 

            Restam, portanto, algumas observações menos agradáveis…

 

            Desde logo, o local.

 

            A organização poderá não ter qualquer responsabilidade na escolha do local, mas, o espaço em causa é excessivamente fechado e frio. Poderá ser mera impressão de um arraigado republicano, mas, o inacabado palácio dos últimos reis de Portugal tem um certo ar de gigantesco jazigo de família, daí advindo que o colorido, o brilho e o aparato das peças provenientes da Madeira percam alguma da sua graça naquele ambiente.

 

            Quanto ao mais, estranha-se a ausência de algumas peças, sobretudo a falta do “turíbulo de Água de Pena”, na medida em que, após este ter figurado numa exposição tão relevante como a que foi realizada no Porto em 2000, já não se podem colocar dúvidas quanto à sua origem, que o torna a peça mais rara de todo o património existente na Madeira.

 

            Por outro lado, e sem se querer tomar posição quanto a uma área que se desconhece, não deixa de merecer uma interrogação o facto de toda a modernidade se reduzir aos “irmãos Franco”…

 

            As madeirense Lurdes Castro e Martha Telles não mereciam uma presença?

 

            Noutro aspecto, talvez se devesse ter procurado encontrar alguma forma de enquadramento que valorizasse o papel do Vinho Madeira.

 

            Quanto ao “retrato de Cristóvão Colombo”, cabe recordar que, aquando da sua aquisição, essa pintura foi apresentada como sendo “o primeiro e real retrato de Cristóvão Colombo”, “uma pintura genovesa do séc. XV” (DN, 23/3/1988). Hoje em dia, esta pintura já aparece como sendo obra de um anónimo pintor do séc. XVII, mas, se os atributos anteriormente propagandeados se revelaram desconformes com a realidade, será justo questionar quais os fundamentos, em que se baseou a definição da identidade do retratado. Do Museu do Porto Santo, seria, talvez, mais interessante exibir o capacete (“morrião”?) do séc. XVI, atendendo à sua beleza e à ligação com o imaginário da “Expansão” que permite.

 

            Por muito subjectiva que possa ser esta opinião, os dois exemplares de “porta paz” mereceriam maior destaque, incluindo, uma visão do exótico animal que figura no tardoz do exemplar do Museu da Quinta das Cruzes. Aliás, não seria descabida uma remissão para o coleccionismo na Madeira, relevando a importância do conjunto de ourivesaria da colecção Wetzler, supondo-se que uma exacta tradução do património artístico existente na Região deveria sublinhar o papel das “quintas” e seus proprietários, com destaque não só para a colecção acima referida, mas também, para os marfins do Dr. Frederico de Freitas, por difícil que possa ser uma segura classificação das mesmas, etc., etc.

 

            Dos aspectos atrás referidos, e porque os mesmos se situam ao nível do pormenor, resulta uma apreciação francamente positiva quanto a esta iniciativa, que apenas pecará por tardia.

 

            Resta esperar por uma outra iniciativa, de iguais ou maiores dimensões, que coloque em directo confronto a importação de obras flamengas para as ilhas da Macaronésia. A Madeira, no que toca à quantidade e qualidade dessas importações, apresenta uma clara primazia relativamente aos arquipélagos dos Açores e das Canárias, mas, até à data, tem sido este último a tornar a dianteira em matéria de exposições respeitantes às obras oriundas da Flandres. (A este respeito, veja-se o livro “Fragmentos”, ed. CEAM, Funchal, 2008).

 

            E, por fim, o sucesso desta exposição poderá servir de incentivo para a concretização das propostas de Francisco Clode com vista à criação de um museu ligado à Expansão Portuguesa.

 

            A inexplicável ausência a nível nacional de projectos nesse sentido deixa o campo aberto para a sua instalação no local das primeiras experiências de deslocação dos portugueses para fora dos limites do espaço continental, o que significa que um museu deste tipo, instalado na Madeira, se revestiria, forçosamente, de características nacionais.

 

           É certo que tal se traduzirá num pesado esforço financeiro, mas, quer por razões históricas quer por razões turísticas, esse Museu seria essencial para a Madeira e, talvez fosse tempo de ir pensando na sua realização, de forma a que a respectiva abertura viesse a coincidir com os 600 anos da descoberta oficial do Arquipélago.

 
 
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