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Aproveitando o sucesso da Exposição de Lisboa – Água mole em pedra dura…
Há matérias em que o velho ditado popular ainda tem plena utilidade, e, uma delas será, seguramente, a área da cultura, onde, regra geral, se torna necessário repetir muitas vezes uma ideia até que a mesma venha a ter concretização.
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Aproveitando o sucesso da Exposição de Lisboa – Água mole em pedra dura…
Há matérias em que o velho ditado popular ainda tem plena utilidade, e, uma delas será, seguramente, a área da cultura, onde, regra geral, se torna necessário repetir muitas vezes uma ideia até que a mesma venha a ter concretização.
Por isso, e face à Exposição sobre os Museus da Região que está aberta em Lisboa, torna-se oportuno referir uma peça do património artístico regional que aí não teve lugar, justificava plenamente uma iniciativa deste tipo a seu respeito, utilizando-se palavras já aqui divulgadas há anos atrás, e voltando-se a lembrar a importância do “Retábulo dos Reis Magos” da Capela do mesmo nome no Estreito da Calheta.
Repetindo-se que se trata de uma peça extremamente interessante, desde logo, porque se encontra no local para onde foi originalmente destinada, e, embora tivesse sido abundante a produção deste tipo de retábulos em Bruxelas, Malines e Antuépia e embora tenha sobrevivido um largo número de vestígios dessa produção, serão bastante mais raros aqueles que permaneceram até aos nossos dias, ininterruptamente, no mesmo local.
Por outro lado, neste tipo de trabalhos, existia um excepcional cuidado quanto à qualidade da sua execução, o que se traduz num resultado extremamente vistoso e atraente para o observador.
Ou, por outras palavras, o cidadão comum, verbi gratia, o turista, não deixará de ficar deslumbrado perante o preciosismo e brilho deste tipo de obras, mas é forçoso concluir que, a nível regional, este retábulo não tem gozado da visibilidade que seria a vários títulos justificável e, por isso, seria necessário que, fosse condignamente exibido com ampla divulgação e adequada colocação.
A nível nacional, figurou em duas exposições: “O Brilho do Norte”, em Lisboa em 1997, e “Cristo Fonte de Esperança”, no Porto, em 2000, mas, na região, tanto quanto se saiba, nunca saiu da sua capela.
E, não seria difícil reunir à volta do retábulo dos Reis Magos outras peças semelhantes, como o igualmente esquecido fragmento de retábulo da Igreja Matriz de Altares, na Ilha Terceira, ou o retábulo de Peniche, o fragmento da Igreja Matriz de Cem Soldados (Tomar), o retábulo de Torre de Moncorvo, ou os mais conhecidos retábulos de Portalegre ou da Capela da Faniqueira (Batalha), neste caso, um dos mais antigos existente em todo o mundo, aos quais se podem juntar outras obras mais recentemente divulgadas, como a “Depossição no Túmulo” de Viana do Castelo, estudada em trabalho de Fernando Jorge Grilo publicado no nº22 da revista “Monumentos” (págs. 92-105)
Nota Extra:
Para fazer crescer água na boca chama-se a atenção para a importância do artigo de Nelson Veríssimo, no DN de 31/01/2010, em defesa da “Confeitaria Felisberta”!
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