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Uma releitura da revista “Atlântico” e o futuro da RAM
A meio da década de oitenta do século passado e, durante quatro anos, foi regularmente publicada na Região a revista “Atlântico”, dotada de um largo leque de colaboradores e apresentando uma qualidade excepcional face ao nível totalmente amadorístico em que assentava.
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Uma releitura da revista “Atlântico” e o futuro da RAM
A meio da década de oitenta do século passado e, durante quatro anos, foi regularmente publicada na Região a revista “Atlântico”, dotada de um largo leque de colaboradores e apresentando uma qualidade excepcional face ao nível totalmente amadorístico em que assentava.
Folheando a mesma, considerou-se ser interessante escolher um trecho de um artigo de Raimundo Quintal publicado no nº 16, (“Inverno/1988”), pelas razões que a seguir se apontarão.
Escrevia-se então:
“… o pinheiro bravo (Pinus pinaster) é a espécie que ocupa maior área do parque florestal madeirense e a sua madeira devidamente tratada serve às mil maravilhas para fabricar componentes para a construção civil, peças de mobiliário e muitas outras utilidades domésticas…Embora haja quem diga que “não se deve sacrificar a barriga à ecologia”, o facto é que é impossível uma boa gestão económica da Ilha da Madeira, ou de outra região qualquer, sem compreender as leis que explicam o funcionamento da Natureza. O ecológico entrelaça-se com o económico
Mesmo em termos económicos é mais interessante plantar Uveiras, Loureiros e Vinháticos…
Bem diferente, e para melhor, é a Uveira da Serra (Vaccinium maderense). Este arbusto indígena produz um fruto que será cada vez mais procurado, para fazer compota e pela indústria farmacêutica. Além disso, vive em perfeita cooperação com o Loureiro (Laurus azorica), cujo fruto é utilizado no fabrico de azeite de louro, vendido presentemente a 5 000$00 (cinco mil) ao litro.
O vinhático (Persea indica) é outra espécie indígena de grande interesse económico. A madeira desta árvore é de grande qualidade para mobiliário e é natural que possa render muito dinheiro.”
As palavras atrás transcritas poderão parecer algo ingénuas, devido ao excessivo optimismo que as enforma.
Mas, não pode deixar de se sublinhar a vontade de valorizar os recursos naturais da Ilha e a sua inserção no processo económico.
Optou-se por este extracto, mas, poderiam ter sido utilizados textos de outros autores, pois, os números dessa revista estavam cheios de estudos e sugestões quanto ao aproveitamento das capacidades produtivas da Região, por pequenas que fossem, mas que, mesmo assim, poderiam ser integradas num conjunto coerente que, além do mais, contribuiria para a definição da uma imagem da Madeira, que surgisse dotada de características próprias, muitas vezes únicas, imagem essa que seria também um importante motor relativamente à actividade turística.
Poder-se-á considerar que, há vinte e tal anos atrás, existia um excesso de ideias que eram mais generosas do que realistas, mas, se compararmos com o actual vazio, o panorama torna-se chocante.
Ideias a mais nesse momento, talvez, mas nos dias de hoje, quem é que consegue detectar alguma opinião quanto ao futuro económico da RAM?
Nem o próprio promotor da “Singapura no Atlântico” leva a sério essa fantasia, mas, além disso, o que é que se vê?
Regressando ao início deste texto, será agradável reencontrar o entusiasmo de há anos atrás…
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