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O TURISMO DA RAM EM DEBATE
Como ponto de partida para o debate sobre uma matéria tão essencial para a
Região, como é o Turismo, resolveu-se transcrever, na íntegra, o texto de
João Welsh publicado no “Diário de Notícias”, de 16 de Julho de 2007, o
qual, independentemente de considerações sobre os seu conteúdo, apresenta,
inquestionavelmente, uma visão global quanto ao que deva constituir a
actividade turística na Madeira e no Porto Santo. Por isso, apelamos aos
leitores que contribuam com as suas opiniões relativamente ao aludido
texto.
| “Um dos principais responsáveis da Aquapura, um novo grupo empresarial português que está a lançar um projecto hoteleiro de luxo, afirmou recentemente não estar interessado em investir na Madeira. Porque, explicou, considera que o destino não tem qualidade suficiente e os nossos hotéis de 5 estrelas praticam preços de 3 e 4 estrelas. Estas são, claramente, declarações que contrastam com a visão que nós, madeirenses, temos acerca do nosso destino turístico, que consideramos ser de grande qualidade Será uma questão de perspectiva? E, nós, madeirenses, quando falamos do nosso produto turístico, será que temos todos o mesmo conceito de qualidade? Na realidade, importa questionar, a montante, o que é “Qualidade”. Enquanto não é caracterizada conceptualmente e sistematizada em termos de compromisso, “Qualidade” não passa de uma palavra subjectiva e virtual. Mas factos são factos! E o facto que aqui importa reter é que o Grupo Aquapura não investe na Madeira porque, na sua perspectiva, esta não tem qualidade. |
Uma opinião da exterior muito crítica relativamente ao actual turismo madeirense.
- E será correcta?
- Deixe a sua opinião.
Factos são factos. E o facto é que o Grupo X não investe, porque considera que a Madeira não tem qualidade.
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Nós consideramos que temos, sem termos porém a certeza de que padrões de qualidade estamos todos a falar, porque nunca a caracterizamos, nem tão pouco definimos indicadores mensuráveis se é real ou virtual. Uma questão muito séria! Qualidade, sublinho, é um compromisso e a consistência com um determinado padrão de serviço, resultado de uma visão para um produto e de um público-alvo ajustado à visão. Na realidade temos um preço médio por dormida na ordem dos 30 euros, ou seja, o mesmo preço de um pequeno-almoço numa unidade hoteleira de qualidade orientada para o segmento de alto poder de compra em determinados destinos turísticos. Dito isto, é uma preocupação a visão que a Aquapura tem do nosso destino ou não? Ou será que preferimos evoluir no futuro para o conceito de Hotéis All Inclusivee acrescentar ainda mais oferta de Time-sharing? Não critico nenhum modelo, contudo, o que não acredito é num futuro sem que o conceito de produto e a visão do nosso destino sejam claros e ajustados às nossas características únicas. Produto pouco definido e que pretende servir a todos os segmentos acaba por não servir bem nenhum – este é o risco. A Madeira tem as condições naturais, um histórico turístico de turismo sénior de médio/ alto e alto poder de compra, assim como um charme muito característico e apreciado. Estas são condicionantes virtuosas da visão para o nosso produto turístico. Por outro lado, não temos espaço físico, nem praias de areia (felizmente, porque a sua ausência é um fortíssimo elemento diferenciador do nosso produto – valoriza a nossa singularidade), nem salários que nos permitam competir pela massificação. Sou assim claramente defensor que a visão para o nosso destino passa por criar ou recuperar o conceito de destino “Boutique de Excelência”, claramente orientado para um público-alvo sénior de médio/ médio alto poder de compra, que procure sossego, lazer activo em ambiente tranquilo integrado na paisagem, associado a uma alta sofisticação nos serviços dos hotéis, restaurantes e restantes actividades de suporte, sempre com fundamentalismo pelo detalhe de excelência. Fantasia? Se assim não for, como é que vamos maximizar as receitas de um destino que tem como tecto cerca de 40.000 camas? Questionarão o porquê de 40.000? Porque se ultrapassarmos este número perderemos irremediavelmente o charme e a pressão imobiliária levar-nos-á a ser um destino banalizado que só vende pelo preço (baixo). A aposta tem de ser claramente orientada para a maximização das receitas por turista, estabelecendo uma estratégia em conformidade, sempre conscientes que a lei da procura e da oferta tem de ser gerida com mestria. Qualidade ou Excelência? Para que padrão – médio ou de luxo? O que queremos? Que indicadores podemos e devemos medir? Deixo algumas sugestões: Preço (receitas médias e Revpar), comparando-os com destinos direccionados para turistas de alto poder de compra, rácio trabalhador/ turista (quanto mais baixo, mais produtivos numa lógica de massificação, mas já não é verdade quando falamos em padrão de luxo para segmentos altos); número de restaurantes classificados pelo Guia Michelin; preço médio dos restaurantes; segurança; receitas anuais dos museus e rácio turistas/ museu; hotéis Design reconhecidos pela cadeia Design (felizmente já temos alguns); número de cadeias de luxo internacionais; número de eventos culturais, entre outros. Por outra via, o indicador de um destino massificado, prisioneiro da variável preço, pode bem ser o rácio de turistas no destino que utilizam os supermercados. Esta não é uma visão elitista, tratando-se bem pelo contrário de uma visão social, na medida em que visa maiores gastos médios por turista, uma maior distribuição das camas instaladas por pequenas unidades hoteleiras, mais serviço ao cliente e consequentemente mais trabalhadores e melhores perspectivas para estabelecimentos comerciais. Maior e melhor distribuição da riqueza gerada. Dirão impossível! Mas atente-se que, segundo a WTO, o número de turistas tem crescido anualmente e neste universo, o sénior de poder de compra elevado é também cada vez mais em maior número. A oportunidade está lá! Teremos alternativas num ambiente mundial em que todos os anos há mais destinos concorrentes, muitos com elementos fortíssimos de exotismo e de sofisticação de serviço? Tenho dúvidas! Esta é a minha perspectiva, seguramente mais uma entre muitas opiniões mas que espero que contribua para o debate de ideias sobre a actividade mais importante da nossa economia e que a todos afecta.”Vice-presidente da APAVT
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Como será possível existir qualidade se o preço médio da dormida é igual ao preço do pequeno-almoço noutros lados em unidades hoteleiras orientadas para o segmento de alto poder de compra?
Produto pouco definido e que pretende servir a todos os segmentos acaba por não servir bem nenhum segmento.
Os salários!
Uma proposta concreta!
Qual a relação ideal entre o nº de trabalhadores de hotelaria e o nº de hóspedes?
Restaurantes classificados pelo “Guia Michelin”? Onde é que há disso? (Consultar o “Furabardos”, nºs ?
Rácio Turistas/ Museus – pois, pois…
Eventos culturais? Será que o fogo de artifício atrai o tipo de turistas que o autor se refere? E o fogo de artifício de Junho não levará à banalização do fim-do-ano?
Esta é uma visão que aponta para um maior número de trabalhadores por cada turista entrado na região.
É que só faz sentido se os trabalhadores do sector forem bem retribuídos. O que é ÓPTIMO! Mas será que o articulista tem consciência disso?
Se não for assim, que alternativas nos restarão???
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Comentário de João Palla Lizardo ao texto de João Welsh Para que exista uma economia suficientemente diferenciadora e apelativa é imprescindível que existam produtos regionais, nomeadamente no sector do peixe, verduras e frutas. Não se pode pensar em cativa turistas com algumas exigências em matéria gastronómica se lhe oferecemos os mesmos produtos que consomem nos seus lugares de origem. É aflitivo observar, nos restaurantes, os turistas que pedem frutas subtropicais, julgando que são produtos da Região e acabam por descobrir que são exactamente iguais às que se vendem em todos os supermercados, de todos os sítios do Mundo!!! No dia 20 de Julho, um novo restaurante publicitava no “Diário de Notícias”:“Grelhados e Caça – a especialidade” Será que alguém se iria deslocar à Madeira para comer a “caça” que vem que vem da sua própria terra???
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